Bakhita, a escrava: "Se
tivesse hoje a oportunidade de encontrar os mercadores de escravos que me
capturaram e até mesmo aqueles que me torturaram, eu ajoelharia e beijaria suas
mãos, pois se isto não tivesse acontecido, eu, hoje, não seria cristã e
religiosa."
A Escravidão
A Escravidão
- Bakhita nasceu no Sudão, região de Dafur na África, no ano de 1869 e através de suas poucas informações sabemos que sua aldeia natal é Olgossa, cuja pronúncia é “algoz”, que em árabe significa “Dunas de Areia”.- De família abastada, seu pai possuía terras, plantações e gado; ele era irmão do chefe da aldeia.
- Sua família era composta pelos pais e sete
filhos, sendo muito unidos e afeiçoados.
- Não devemos nos esquecer de que, apesar de possuírem terras, gado, etc., viviam numa aldeia onde as cabanas eram de barro com telhado de palha. Todos nas aldeias estavam sujeitos ao grande perigo que eram os bandos negreiros que 'raptavam' homens, mulheres e crianças para negociarem no mercado de escravos.
- No ano de 1874, sua irmã mais velha foi raptada. A dor dilacerou o coração daquela família tão unida e feliz.
- Não devemos nos esquecer de que, apesar de possuírem terras, gado, etc., viviam numa aldeia onde as cabanas eram de barro com telhado de palha. Todos nas aldeias estavam sujeitos ao grande perigo que eram os bandos negreiros que 'raptavam' homens, mulheres e crianças para negociarem no mercado de escravos.
- No ano de 1874, sua irmã mais velha foi raptada. A dor dilacerou o coração daquela família tão unida e feliz.
- “Bakhita” não foi o nome que recebera dos pais quando nasceu.
No ano de 1876, com mais ou menos 7 anos de idade, foi raptada e arrancada do
seio de sua família.
- A pequena menina tomada de pavor, foi levada brutalmente
por dois árabes e foram eles que impuseram o nome de “Bakhita”,
que significa: “afortunada”.
- Esta flor africana conheceu as humilhações, os
sofrimentos físicos e morais da escravidão, sendo vendida e comprada várias
vezes.
- A terrível experiência e o susto, provado naquele dia, causaram profundos
danos na sua memória, inclusive o esquecimento do próprio nome.
EXEMPLO: Apenas uma amostra do sofrimento que Santa
Josefina Bakhita passou nas mãos de seus senhores, segundo seu próprio
relato:
"Uma mulher habilidosa nesta arte cruel (tatuagem) veio à casa principal... nossa patroa colocou-se atrás de nós, com o chicote nas mãos. A mulher trazia uma vasilha com farinha branca, uma vasilha com sal e uma navalha. Quando terminou de desenhar com a farinha, a mulher pegou da navalha e começou a fazer cortes seguindo o padrão desenhado. O sal foi aplicado em cada ferida... Meu rosto foi poupado, mas 6 desenhos foram feitos em meus seios, e mais 60 em minha barriga e braços. Pensei que fosse morrer, principalmente quando o sal era aplicado nas feridas... foi por milagre de Deus que não morri. Ele havia me destinado para coisas melhores."O CORTE DA NAVALHA eram esfregados com sal para que as marcas ficassem bem abertas
"Uma mulher habilidosa nesta arte cruel (tatuagem) veio à casa principal... nossa patroa colocou-se atrás de nós, com o chicote nas mãos. A mulher trazia uma vasilha com farinha branca, uma vasilha com sal e uma navalha. Quando terminou de desenhar com a farinha, a mulher pegou da navalha e começou a fazer cortes seguindo o padrão desenhado. O sal foi aplicado em cada ferida... Meu rosto foi poupado, mas 6 desenhos foram feitos em meus seios, e mais 60 em minha barriga e braços. Pensei que fosse morrer, principalmente quando o sal era aplicado nas feridas... foi por milagre de Deus que não morri. Ele havia me destinado para coisas melhores."O CORTE DA NAVALHA eram esfregados com sal para que as marcas ficassem bem abertas
- A pequena escrava, depois de um mês de prisão, foi vendida a um mercador de
escravos. Na ânsia de voltar para casa, Bakhita se arma de coragem e tenta
fugir. Porém, foi capturada por um pastor e revendida a outro árabe, homem feroz
e cruel, que, por sua vez, revendeu-a a outro mercador de escravos.
- Novamente ela é vendida a um general turco, cuja esposa era mulher terrivelmente má. Desejou marcar suas escravas e Bakhita estava entre elas. Chamou então uma tatuadoura que, com uma navalha, ia marcando os corpos das meninas que se contorciam de dores, mergulhadas numa poça de sangue.
- Novamente ela é vendida a um general turco, cuja esposa era mulher terrivelmente má. Desejou marcar suas escravas e Bakhita estava entre elas. Chamou então uma tatuadoura que, com uma navalha, ia marcando os corpos das meninas que se contorciam de dores, mergulhadas numa poça de sangue.
- No ano de 1882, na capital do Sudão, o general turco vendeu Bakhita ao agente consular italiano Calisto Legnani que seria, para ela, seu anjo bom e que depois a levou consigo para a Itália.
- Na casa do cônsul, Bakhita conheceu a serenidade, o afeto e os momentos de alegria, lembranças dos momentos felizes na casa dos pais.
- Durante a viagem, este entregou-a à família de um amigo, o sr. Augusto Michieli, que residia em Veneza, e cuja esposa se lhe tinha afeiçoado.
- EM VENEZA com seu 7º “patrão”, o rico comerciante Michieli, foi para vila Zianino de Mirano Veneto onde Bakhita se tornou babá de Mimina, a filhinha do casal. Com o nascimento da filha do casal, Bakhita tornou-se a sua ama e amiga. Apesar de serem pessoas boas e honestas, não eram praticantes de religião. Como sempre, Deus tem seus caminhos e acabou colocando no caminho de Bakhita, o administrador dos Michieli, Iluminato Chechini.
- Os negócios desta família, na África, exigiam que retornassem. Mas, aconselhado pelo administrador, o casal confiou as duas às irmãs da congregação de Santa Madalena de Canossa, em Schio, também em Veneza. Ali, Bakhita, conheceu o Evangelho.
Iluminato era um
homem muito religioso e logo se preocupou com a formação religiosa de Bakhita; e
ao dar um crucifixo a ela, disse em seu coração: “Jesus, eu a confio
a Ti”.
Bakhita, filha de
Deus
- Quando os Michieli tiveram de voltar para Suakin, na África, por motivos de
negócios, Bakhita e a pequena Mimina ficaram aos cuidados das Irmãs Canossianas,
em Veneza, e isto graças ao sr. Iluminato.
- Bakhita iniciou o catecumenato (catequese para receber os sacramentos iniciais), no Instituto das Irmãs. Ao final de nove meses, a sra. Maria Turina voltou à Itália para buscar sua filhinha Mimina e aquela que considerava sua escrava, pois retornariam à África.
- Naquele instante, Bakhira já toda apaixonada por Jesus, prestes a receber os sacramentos, recusa-se a voltar para a África, apesar do afeto que nutria pela família Michieli e principalmente pela pequena.
- Bakhita iniciou o catecumenato (catequese para receber os sacramentos iniciais), no Instituto das Irmãs. Ao final de nove meses, a sra. Maria Turina voltou à Itália para buscar sua filhinha Mimina e aquela que considerava sua escrava, pois retornariam à África.
- Naquele instante, Bakhira já toda apaixonada por Jesus, prestes a receber os sacramentos, recusa-se a voltar para a África, apesar do afeto que nutria pela família Michieli e principalmente pela pequena.
- Sentia em seu
coração um desejo inexplicável de abraçar a fé e vivê-la para sempre.
- Apesar dos apelos e até ameaças da sra. Michieli, nossa jovem africana não cedeu em sua minima resolução. Bakhita estava livre, na Itália não havia escravidão.
- Apesar dos apelos e até ameaças da sra. Michieli, nossa jovem africana não cedeu em sua minima resolução. Bakhita estava livre, na Itália não havia escravidão.
- Sua
patroa retornou à África com sua filha e Bakhita prosseguiu com sua catequese,
feliz mesmo sabendo que seria a última chance de rever seus familiares na
África.
- No dia 09 de janeiro de 1890, , tendo ela vinte e um anos, Bakhita é batizada, crismada e recebe a 1°
comunhão das mãos do Patriarca de Veneza, Cardeal Agostini. No batismo recebe o
nome de Josefina Margarida Bakhita. Ela descreveria este dia como mais feliz de
sua vida: sentir-se filha de Deus era-lhe uma emoção inigualável, assim como
receber Jesus na eucaristia era o Céu na Terra.
- Queria tornar-se irmã
canossiana, para servir a Deus que lhe havia dado tantas provas do seu amor.
- Depois de sentir com muita clareza o chamamento para a vida religiosa, em 1896,
Josefina Bakhita consagrou-se para sempre a Deus, a quem ela chamava com carinho
"o meu Patrão!":
- (***Irmã Bakhita, em sua infância na África, mesmo sem saber
nada de Deus, pensava em seu coração inocente e puro, quando olhava a lua e as
estrelas: “Quem será o patrão de todas estas coisas?”.
Oh! Bakhita, Deus já estava te preparando para Ele!***)
- Josefina Bakhita foi aceita na congregação das Filhas da Caridade
Canossianas, servas dos pobres e, depois de três anos de noviciado, no dia 08 de
dezembro de 1896 pronunciou os votos de: Castidade Pobreza e
Obediência.
- Depois da profissão religiosa, nossa Irmã Bakhita foi transferida para a cidade de Schio, em outra obra da Congregação, e lá permaneceu por 45 anos, onde passou a ser conhecida como a “Madre Morena”.- Irmã Bakhita era atenciosa com todos, sem distinção, desde as crianças do colégio, seus pais, sacerdotes, com suas irmãs religiosas, etc., sempre levando a todos palavras de conforto, consolo e amor incondicional a Deus Pai.
- Em todas as funções que exerceu, sempre colocou seu coração doce e sincero na Igreja, na Sacristia, na portaria ou na cozinha, era tudo para todos, com seu sorriso de anjo. As irmãs estimavam-na pela generosidade, bondade e pelo seu
profundo desejo de tornar Jesus conhecido.
- "Sede boas, amem a Deus, rezai por
aqueles que não O conhecem. Se soubésseis que grande graça é conhecer a Deus!".
- Bakhita sonhava com a conversão do povo africano e, no dia de sua profissão
religiosa, rezou:
............“Ó Senhor, se eu pudesse voar lá longe, entre a minha gente e
proclamar a todos, em voz alta, a tua bondade. Oh! Quantas almas eu poderia
conquistar para Ti! Entre os primeiros, a minha mãe e o meu pai, os meus irmãos,
a minha irmã ainda escrava... e todos, todos os pobres negros da África. Faça, ó
Jesus, que também eles te conheçam e te amem!”.
SUDÃO - ÁFRICA
O Sudão, o maior país da África tendo, somente em Darfur, cerca de 5 milhões de pessoas e três tribos predominando: os fur, os masalit e os zaghawa, que são em sua maioria negros muçulmanos.
- A sua humildade, a sua simplicidade e o seu constante
sorriso, conquistaram o coração de toda população. Com a idade, chegou a doença
longa e dolorosa.
- Ela continuou a oferecer o seu testemunho de fé, expressando
com estas simples palavras, escondidas detrás de um sorriso, a odisseia da sua
vida:
_"Vou devagar, passo a passo, porque levo duas grandes malas: numa vão os
meus pecados, e na outra, muito mais pesada, os méritos infinitos de Jesus.
Quando chegar ao céu abrirei as malas e direi a Deus: Pai eterno, agora podes
julgar. E a São Pedro: Fecha a porta, porque fico".
- Na agonia reviveu os terríveis anos de escravidão e foi a Santa Virgem que a libertou dos sofrimentos. As suas últimas palavras foram: "Nossa Senhora!"
.
Corpo Incorrupto de Santa Josefina Bakhita: No ano de 1947 Bakhita adoeceu, já quase sem forças, em cadeira de rodas,
passava horas em oração, em adoração e contemplação. Era o dia 08 de fevereiro
de 1947, nossa Irmã Morena murmurava: “Como estou contente! Nossa
Senhora! Nossa Senhora!”.
Em seus derradeiros dias suas recordações se voltaram para os anos de escravidão e, em delírio, ela gritava: “Por favor, afrouxem os grilhões… eles são tão pesados”. Josephine morreu no dia 8 de fevereiro de 1947.
- Durante três dias seu corpo ficou exposto e milhares de pessoas foram prestar-lhe a última homenagem.
- Às 20 horas, irmã Bakhita entrega sua alma a Deus. O povo em grande multidão
quer dar o último adeus à Madre Morena, sua fama de santidade se espalhou
rapidamente e todos recorriam ao seu túmulo pedindo sua intercessão.
- Em 17 de maio de 1992 foi beatificada e, em 1º de outubro de 2000, foi elevada à honra dos altares, declarada “Santa” pelo nosso Santo Padre, o Papa João II, sendo que o milagre que a levou a ser reconhecida como Santa, aconteceu em Santos, no Brasil.
Josephine Bakhita, Instituto das Filhas da Caridade de Canossa
- Nascida em 1869, Olgossa, Darfur, Sudan
- Falecida em 8 de fevereiro de 1947, Itália
- Venerada na Igreja Católica Apostólica
- Beatificada 17 de maio de 1992 pelo Papa João Paulo II
- Canonizada 1o outubro 2000, Basílica de São Pedro, Roma, pelo Papa João Paulo II
- Festa 8 de fevereiro
- Padroeira Sudão








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